Por Danielle/Folhapress
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Entidade
com mais de 70 mil professores filiados no país, o Andes (Sindicato Nacional
dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) criticou o presidente Lula
(PT) por se reunir com reitores de universidades federais, mas não com os
grevistas. O presidente se encontra
nesta segunda-feira (10) com os reitores de universidades federais, em reunião
na qual deve anunciar aumento do orçamento de custeio das instituições e um
reforço da verba para investimento em obra, como mostrou a coluna Painel, da
Folha de S. Paulo. O gesto, porém, foi
alvo de críticas de representantes do Andes. Na última quarta-feira (5), a
primeira tesoureira do sindicato, Jennifer Webb, afirmou em audiência pública
no Senado que não seriam Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das
Instituições Federais de Ensino Superior) e Conif (Conselho Nacional das
Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica)
que encerrariam a greve
"Infelizmente,
vergonhosamente, o governo e o presidente Lula estão atendendo a Andifes e o
Conif como convidados e sequer receberam as entidades representativas das
categorias em greve", criticou. "Não vão ser os reitores e reitoras
que vão nos tirar dessa greve. O que vai encerrar essa greve é um processo de
negociação justo que a gente reivindica e é somente a base que vai deliberar
sobre isso." A próxima rodada de
negociações dos professores com o Ministério da Gestão ocorre na próxima
sexta-feira (14 de junho), no MEC (Ministério da Educação). Presidente do
Andes, Gustavo Seferian afirma que desde o começo do governo não houve qualquer
sinalização de recomposição orçamentária e o aumento de investimentos nas
universidades federais. "Caso tenhamos anúncio nesse sentido na segunda,
por certo será resultante da greve", disse.
Ele defendeu ainda que o indicativo de novas obras deve vir acompanhado pela garantia de direitos sociais. "Não pode estar condicionado a processos de privatização, com destinação de fundos públicos de forma massiva a empresas privadas, amparada em terceirização e precarização de trabalho". O Ministério da Gestão sinalizou que não é possível atender à reivindicação dos professores de ter aumento salarial de 3,69% neste ano, além dos 9% em janeiro de 2025 e de 5,16% em 2026. Os anúncios de investimentos seriam uma forma de atender a alguma das reivindicações dos grevistas.