Por Clóvis Gonçalves
No ano que vem, o Ministério da
Educação fará uma consulta pública para discutir alterações no currículo.
Educação sexual e diversidade, por exemplo, poderão ser incluídas
Trabalhar a sexualidade de forma
interdisciplinar nas escolas, respeitando as diferenças entre as regiões do
País e buscando adequar a linguagem ao entendimento dos jovens é o que o
governo vem tentando fazer como forma de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis
(DST) entre adolescentes. O assunto foi discutido nesta quinta-feira (13) na
Comissão de Educação e contou com a participação de representantes do governo e
dos médicos. O médico Antônio de Moraes Júnior destacou na audiência a
importância de orientar os jovens sobre a prevenção de DSTs
A audiência foi sugerida pelo
deputado Ariosto Holanda (Pros-CE), preocupado com estatísticas que apontam
maior incidência de contágio de DST durante a adolescência. Segundo dados do
Ministério da Saúde, na faixa etária de 15 a 19 anos, a taxa de detecção de HIV
entre os homens é de 6,2 casos para cada 100 mil habitantes e de 5,1 entre as
mulheres. A taxa de detecção geral, entre a população brasileira, é de 20 casos
para cada 100 mil habitantesNa reunião, o chefe do Departamento de Andrologia
da Sociedade Brasileira de Urologia, Antônio de Moraes Júnior, defendeu a
criação de uma disciplina para tratar de sexualidade nas escolas brasileiras.
A sexualidade, disse o médico,
inicia-se no nascimento e não tem a ver somente com a atividade sexual, mas o
assunto ainda é tabu no Brasil. “Pergunto se seria possível abordar no ensino
assuntos como atividade sexual, uso de preservativo, gravidez precoce.
Atualmente, ¼ das DST ocorre em pessoas com menos de 25 anos de idade. Dos
pacientes com HIV, 2/3 foram contaminados ainda na adolescência”, observou.
Direito social
A diretora de Currículo e Educação Integral da Secretaria de Educação Básica do
Ministério da Educação (MEC), Clarice Salete Traversini, observou que o Brasil
trata saúde como direitos sociais e que vem desenvolvendo metodologias,
principalmente na educação integral, para que os jovens transformem a
informação em cuidado consigo mesmo. Segundo Clarice, atualmente três mil
escolas abordam o assunto em oficinas no turno contrário.
Clarice Traversini
É preciso repensar a forma de
se comunicar com a juventude.
A partir de 2015, o tema sexualidade
também será discutido em consulta pública sobre a base nacional comum
curricular. O MEC quer saber quais conhecimentos incluir no currículo, se
educação sexual ou se diversidade, por exemplo. Clarice Traversini explicou que
a diretriz central será a valorização humana, para que não se caia na área do
preconceito e os jovens se sintam pouco à vontade de discutir o assunto.
“Nós temos uma juventude que não é a
mesma de anos atrás. Ela tem muito mais informação e muito mais contato com
diversos mundos mais cedo”, disse a diretora. Daí a necessidade de rever
metodologias e a forma de comunicação com os jovens.
Redes sociais
A diretora-adjunta do Departamento de
DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele
Benzaken, disse que as ações entre as áreas de saúde e de educação devem ser
integradas. O ministério, segundo ela, vem buscando adaptar sua linguagem para
atingir os jovens também nas redes sociais.
Segundo dados do Ministério da Saúde, 49% dos
jovens 15 a 24 anos têm conhecimento correto sobre a forma de transmissão e
prevenção do HIV especificamente. Entre a população geral, essa taxa é de
54,2%.(Câmara Noticias)
