Por SBT News
O presidente Lula durante encontro empresarial Brasil–Moçambique | Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (24/11), em Maputo, capital de Moçambique, que o Brasil não aceitará permanecer apenas como fornecedor bruto de lítio, terras raras e outros minerais estratégicos. Segundo ele, a exploração desses recursos no país estará condicionada à instalação de fábricas em território brasileiro. “Nós não vamos ser exportador dos minerais críticos. Se quiser, vai ter que industrializar do nosso país para que o nosso país possa ganhar esse dinheiro”, declarou Lula durante encontro empresarial Brasil–Moçambique com empresários dos dois países.
O presidente participou de
agenda oficial no continente africano após a cúpula do G20, realizada na África
do Sul. Durante o discurso, Lula também afirmou que o Brasil precisa agregar
valor aos recursos que possui e romper com ciclos históricos de dependência
econômica. “Ou nós aproveitamos essas
riquezas que Deus nos deu e fazemos disso uma riqueza para o nosso povo, ou nós
vamos ver os países de sempre cavarem buraco no nosso país, levar o nosso
minério e a gente ficar com a fome e com a pobreza”, disse.
Ele defendeu ainda que cada país tenha autonomia para definir seus próprios modelos de exploração mineral. “É igualmente urgente que cada país seja capaz de definir as necessidades e modelos de exploração de suas riquezas minerais de forma soberana. Nós já temos um século de experiência. Já temos um século. A gente não tem por que acreditar mais”.
Além
dos minerais estratégicos, Lula abordou o potencial dos biocombustíveis no
continente africano e criticou a ideia de que sua produção comprometeria a
oferta de alimentos. Acabou aquela história de alguém ficar confundindo: "Vai
produzir biocombustível, vai faltar alimento’. É bobagem”, afirmou. “Somente um
lunático iria preferir produzir biocombustível, do que produzir comida”,
completou, destacando que há espaço para as duas atividades.
A declaração de Lula ocorre em um momento em que Estados Unidos e China ampliam a disputa global pelos minerais críticos, insumos essenciais para baterias, turbinas eólicas, painéis solares e eletrônicos. Os EUA têm demonstrado interesse crescente no potencial brasileiro como parte da estratégia para diminuir a dependência da China. Embora o Brasil detenha algumas das maiores reservas do mundo, boa parte da produção ainda deixa o país com baixo valor agregado, cenário que o governo afirma querer reverter. Fonte: SBT News.