Por O Globo
A subestação de energia em Marituba — Foto: Reprodução/Google Street View
Uma empresa de energia do Pará relatou em um “comunicado urgente” ter recebido ameaças do Comando Vermelho (CV) contra uma subestação em Marituba, na Região Metropolitana de Belém. O documento, enviado na última quinta-feira ao governo federal, associa o episódio a possíveis riscos à segurança durante a COP30, que será realizada na capital paraense. A cúpula de líderes que antecede a conferência começou nesta quinta-feira, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de dezenas de chefes de Estado. No relatório, obtido por O GLOBO, a concessionária Verene descreve que um grupo ligado ao CV abordou funcionários da Belém Transmissora de Energia S.A. e impôs restrições às atividades no local.
Segundo o documento, um homem que se apresentou como integrante da facção ordenou a suspensão imediata das obras de expansão da subestação e exigiu que as operações fossem encerradas diariamente a partir das 15h, sob ameaça de represálias. "Este fato demonstra um risco iminente e ativo não apenas à segurança dos colaboradores e ao patrimônio, mas à própria continuidade de um serviço público essencial, agravado pela proximidade da COP30", pontua o documento. O texto afirma que um consórcio responsável por obras em uma rodovia adjacente à linha de transmissão também recebeu as mesmas ameaças. O grupo teria, inclusive, optado por suspender as obras na saída de Marituba após o episódio. Questionada pelo GLOBO, a Verene Energia, dona da Belém Transmissora, não se manifestou.
"Diante
do exposto, e considerando a gravíssima escalada das ameaças partindo agora de
uma facção criminosa notória e com poder de paralisar outras obras na região,
solicitamos o renovado apoio deste ministério no acionamento das forças de
segurança competentes, a fim de investigar e fazer cessar os atos ilegais que
atentam contra a segurança da subestação", pede a empresa no próprio
documento. "A segurança desta instalação é vital para o sucesso do evento
internacional (COP30) e para a segurança energética da população", conclui
a concessionária.
Após
o recebimento da denúncia, o Ministério de Minas e Energia acionou a pasta da
Justiça e Segurança Pública, como consta em ofício também obtido pelo GLOBO.
"O agente informou sobre o impedimento de acesso das equipes de operação à
Subestação Marituba, a partir das 15 horas, o que poderá ocasionar, em caso de
ocorrências, um prejuízo à célere recomposição das cargas da região
metropolitana de Belém', destaca o documento, assinado pelo ministro Alexandre
Silveira e endereçado nominalmente ao também ministro Ricardo Lewandowski.
No
texto, Silveira frisa que, "diante da recorrência de casos" e da
"intensificação de ataques criminosos em ativos do Sistema Elétrico
Brasileiro (SEB)", bem como da proximidade da realização da 30ª
Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que está
programada para ocorrer em novembro de 2025", era preciso solicitar ao
colega "que avalie, dentro de suas competências, a disponibilização de
equipe técnica especializada para contribuir com meios de coibir as ações
criminosas". O documento informa que o Gabinete de Segurança Institucional
da Presidência da República (GSI/PR) e o governo estadual do Pará também foram
comunicados "do assunto em pauta".
Procurado
pelo GLOBO, o Ministério da Justiça confirmou as denúncias e afirmou que, por
meio da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi) e da
Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), "elaborou um relatório
de inteligência", na última segunda-feira, e enviou para PF, GSI, Agência
Brasileira de Inteligência (Abin) e as forças de segurança do Pará. A nota diz
que, "tão logo tomou conhecimento dos fatos", a pasta "iniciou
imediatamente a apuração e o devido encaminhamento aos órgão competentes".
A pasta ressalta que a empresa administradora do contrato da Subestação Belém-Marituba, Verene Energia S.A., encaminhou informações relatando atos de coação e ameaças de ataques às obras de implantação de reforço da Subestação 500/230 kV Marituba, localizada no estado do Pará (PA). Essa instalação é considerada infraestrutura crítica do Sistema Interligado Nacional (SIN). Também contatada pela reportagem, a Polícia Federal informou apenas que "iria verificar" o relato, mas não houve mais retorno. O Ministério de Minas e Energia também não se manifestou. Fonte: O Globo.